tristeza e dor
6 de setembro, 2004
sei

(pintura de egon schiele "der akt")
sei que sou ignorado
nestes meus gritos
nestes meus ais
de não aceitar a razão
tudo que era
se apagou e desfez
para um tempo perdido
desta dor de traição
sei que sou desprezado
nesta falta de amor
no carinho que não tenho
quando minha alma chora
meu direito de te amar
roubado, maltratado, aprisionado
e sei que não voltarás
e que me deixarás esquecido
alexander ibis
30 de agosto, 2004
passo a passo

(pintura de j.j.de andrade santos "paisagem")
passo a passo
aproximo-me da tua janela
vejo tua luz acesa
e a janela que me fechaste
passo a passo
paro meu andar pesado
e como uma estátua imovel
sei que não sou, que em ti estou
tu apareces à janela
presencias meu gesto de mão
que te sauda e te diz adeus
para mais um desfalecer desta noite
passo a passo
retiro-me e sou alma que morreu
um vulto que cai no chão
numa rua mal iluminada...
alexander ibis
22 de agosto, 2004
prisioneiro

(pintura de edvard munch "o grito")
sei da minha prisão que me agarra...
a liberdade já esqueci, ela me traiu
em tudo o que me envolvo
estás tu, minha dor, meu desfalecer
já não sou aquele que sorria
sou a mascara, o actor principal
neste palco com grades na arena do sofrimento
aonde jogo um papel sem letras
condenado da solidão, tudo é inutil...
sabor de amargura na agua que bebo
e o sol não me traz a luz, nem a lua me ilumina
pela sentença que me foi feita
e aqui me tenho preso, sem te têr
neste mundo aonde me restam tuas memorias
daquilo que me fizeste, daquilo que me deixaste
por ti, por ti e só por ti...
alexander ibis
19 de agosto, 2004
fantasma

( pintura de vincent van gogh "the starry night" )
cai a noite e regressas como um fantasma
trazes-me os momentos doces de volta
nesta amargura que saboreio
depois de tudo, depois da morte
e morri com tudo o que me deixaste
de peito aberto, de coração despedaçado
nas funduras do abismo da tua saudade
que não tardaram a ser recordadas
fantasma que assombras meu corpo
noite do desespero aonde me falta o ar
sem te ter, sem te sentir, neste vazio
nesta solidão que arde e queima meus sentidos
assim me tenho mudo neste silencio
e liberto meus gemidos na noite que cai
como tu fantasma, que penetras minha alma
que vai morrendo sem te dizer adeus
alexander ibis
16 de agosto, 2004
primeira rosa

(pintura de georgia o´keefe "red & rose")
e o tempo da primeira rosa chegou
quanto daria para te oferecer
nascem para ti, dona das flores
como não te vejo nesta minha tristeza
falo ás flores de ti
digo-lhes a quem pertencem
nasceram pró ano novamente
na mesma altura, nas cores de sempre
neste jardim aonde me refugo
e sei que não me virás visitar
neste lugar aonde mora a dor e a tristeza
dona das flores, do tempo da primeira rosa...
alexander ibis (baseado no tempo de enternamento na clinica psiquiátrica)
12 de agosto, 2004
o livro
pudesse eu tambem
ter colocado o livro
que fechaste e arrumaste
naquela estante
pudesse eu tambem
ter estante para colocar
o livro da nossa historia
que não se deixa fechar
tanto, nele está escrito
e tanto que teria para ser acrescentado
mas na tua estante
está esposto e guardado
irás relêr certo dia
que a historia não tem fim
e que o livro ficou aberto
no meu quarto sem estante...
alexander ibis (foto by hyperdis)
11 de agosto, 2004
floresta

tambem a floresta me fala de ti,
quando passeio e estou só
quer saber aonde estás
quer saber porque não me acompanhas
respondo que é uma triste historia
respondo que tudo acabou
e o vento sopra nas arvores
e seca o meu rosto lagrimado
na floresta que passeava-mos
tudo é puro como foi nosso amor
mas fogo é traição
e quando tudo arde, tudo morre
alexander ibis (pintura de gisela leimbacher "wald")
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