tristeza e dor



6 de setembro, 2004

sei

Image


(pintura de egon schiele "der akt")


 


sei que sou ignorado


nestes meus gritos


nestes meus ais


de não aceitar a razão


 


tudo que era


se apagou e desfez


para um tempo perdido


desta dor de traição


 


sei que sou desprezado


nesta falta de amor


no carinho que não tenho


quando minha alma chora


 


meu direito de te amar


roubado, maltratado, aprisionado


e sei que não voltarás


e que me deixarás esquecido


 


alexander ibis

¤ by as 12:42 AM C(6)

30 de agosto, 2004

passo a passo

jose_julio1g.jpg


(pintura de j.j.de andrade santos "paisagem")


 


passo a passo


aproximo-me da tua janela


vejo tua luz acesa


e a janela que me fechaste


 


passo a passo


paro meu andar pesado


e como uma estátua imovel


sei que não sou, que em ti estou


 


tu apareces à janela


presencias meu gesto de mão


que te sauda e te diz adeus


para mais um desfalecer desta noite


 


passo a passo


retiro-me e sou alma que morreu


um vulto que cai no chão


numa rua mal iluminada...


 


alexander ibis


 

¤ by as 03:28 PM C(3)

22 de agosto, 2004

prisioneiro


(pintura de edvard munch "o grito")


 


 


sei da minha prisão que me agarra...


a liberdade já esqueci, ela me traiu


em tudo o que me envolvo


estás tu, minha dor, meu desfalecer


 


já não sou aquele que sorria


sou a mascara, o actor principal


neste palco com grades na arena do sofrimento


aonde jogo um papel sem letras


 


condenado da solidão, tudo é inutil...


sabor de amargura na agua que bebo


e o sol não me traz a luz, nem a lua me ilumina


pela sentença que me foi feita


 


e aqui me tenho preso, sem te têr


neste mundo aonde me restam tuas memorias


daquilo que me fizeste, daquilo que me deixaste


por ti, por ti e só por ti...


 


alexander ibis

¤ by as 04:15 AM C(8)

19 de agosto, 2004

fantasma

 



( pintura de vincent van gogh "the starry night" )


 


cai a noite e regressas como um fantasma


trazes-me os momentos doces de volta


nesta amargura que saboreio


depois de tudo, depois da morte


 


e morri com tudo o que me deixaste


de peito aberto, de coração despedaçado


nas funduras do abismo da tua saudade


que não tardaram a ser recordadas


 


fantasma que assombras meu corpo


noite do desespero aonde me falta o ar


sem te ter, sem te sentir, neste vazio


nesta solidão que arde e queima meus sentidos


 


assim me tenho mudo neste silencio


e liberto meus gemidos na noite que cai


como tu fantasma, que  penetras minha alma


que vai morrendo sem te dizer adeus


 


alexander ibis


 


 

¤ by as 08:55 PM C(6)

16 de agosto, 2004

primeira rosa


(pintura de georgia o´keefe "red & rose")


 


 


e o tempo da primeira rosa chegou


quanto daria para te oferecer


nascem para ti, dona das flores


 


como não te vejo nesta minha tristeza


falo ás flores de ti


digo-lhes a quem pertencem


 


nasceram pró ano novamente


na mesma altura, nas cores de sempre


neste jardim aonde me refugo


 


e sei que não me virás visitar


neste lugar aonde mora a dor e a tristeza


dona das flores, do tempo da primeira rosa...


 


alexander ibis (baseado no tempo de enternamento na clinica psiquiátrica)


 

¤ by as 01:33 AM C(8)

12 de agosto, 2004

o livro



pudesse eu tambem


ter colocado o livro


que fechaste e arrumaste


naquela estante


 


pudesse eu tambem


ter estante para colocar


o livro da nossa historia


que não se deixa fechar


 


tanto, nele está escrito


e tanto que teria para ser acrescentado


mas na tua estante


está esposto e guardado


 


irás relêr certo dia


que a historia não tem fim


e que o livro ficou aberto


no meu quarto sem estante...


 


alexander ibis (foto by hyperdis)

¤ by as 04:28 PM C(4)

11 de agosto, 2004

floresta


tambem a floresta me fala de ti,


quando passeio e estou só


quer saber aonde estás


quer saber porque não me acompanhas


 


respondo que é uma triste historia


respondo que tudo acabou


e o vento sopra nas arvores


e seca o meu rosto lagrimado


 


na floresta que passeava-mos


tudo é puro como foi nosso amor


mas fogo é traição


e quando tudo arde, tudo morre


 


alexander ibis (pintura de gisela leimbacher "wald")

¤ by as 06:27 PM C(2)


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Local: lisboa
alexanderibis@sapo.pt




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